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terça-feira, 20 de julho de 2010

Perfeição em Massa

A culpa da minha obsessão com embalagens não é da minha tendência de acumular coisas. A culpa é da perfeição delas. Ontem, a minha mãe - que tem uma sinusite quase mundialmente célebre e é assim The Lord of the Tissues, porque à palavra lady falta carácter épico - deu-me um pacote de lenços que tem um esquilo com balões estampado. O cheiro a laranja eu ainda consigo suportar, mas que pessoas pérfidas, de mentes distorcidas, são estas que acham que eu me devo sentir feliz por me assoar a um desenho de um animal fofo? Porquê embonecar as coisas que são para pôr no lixo? Serei a única pessoa a achar que este tipo de comportamento, este destruir as coisas bonitas sem pena, tem traços de loucura?
Todas as coisas dispensáveis, descartáveis, produzidas em massa, são tão absolutamente perfeitas. Fui a uma fábrica de plásticos numa visita de estudo e as embalagens, aquelas embalagens que ignoramos todos os dias, são tão bem feitas, tão desprovidas de falhas. E as embalagens de cereais estão tão bem impressas. E os bonecos que eles fazem para nos vender as coisas são tão bem desenhados. Que não importa quão comum e vulgar tudo aquilo seja, eu não consigo ultrapassar a perfeição, não quando tudo o que eu faço é tão desajeitado, não quando tanta coisa que eu compro me falha.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Mais Divagações Natalícias (mas esta é a mais parva e a melhor)

Creio firmemente que, a haver no mundo forma de nos passarmos para uma dimensão paralela, esta será num centro comercial em plena época natalícia, com o frenesim histérico do consumismo, o ritmo das bancas de embrulho, os piscas-piscas por todo o lado, as multidões ansiosas, os blockbusters e adaptações de livros ao cinema, o acotevelamento geral, os carrinhos cheios e as filas de supermercados cheias, os engarrafamentos na área dos brinquedos, os abutres de volta dos camarões e bacalhau, tudo isso, a criar um campo de forças místicas que nos fizessem, pim!, num momento estávamos a admirar as pirâmides douradas de Ferrero Rocher, no outro tínhamos discretamente desaparecido nas barbas das câmaras de vigilância do hipermercado. E nós dávamos connosco no meio da Terra Média.
Portanto, lá fui eu ao centro comercial hoje à tarde, que estava pela primeira vez a fervilhar de actividade de forma decente, e só me apetecia bater em toda a gente porque estou assim um bocado para o hormonalmente desequilibrada, e moral da história: nem a ponta de uma orelha élfica ou um coelho a seguir até ao País das Maravilhas. Rien.