sábado, 31 de março de 2012

Literary fiction is the deep fiction, o tanas!

Fun. What is it good for? It's not pleasure, joy, delight, enjoyment or glee. It's a hollow, cruel, vicious little bastard, a word for something sought with an hilarious couple of wobbly antennae on your head and the words "I want It!" on your shirt, and it tends to leave you waking up with your face stuck to the street.
"Thud!" by Terry Pratchett

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Novidades e meia review

A SOPA e a PIPA fizeram a Wikipédia amuar (a Wikipédia é o pináculo da realização da humanidade enquanto comunidade! se a Wikipédia amua é o dever ético de cada um parar o seu bailinho!); eu não tinha site nenhum meu em que dar também uma mocada, como protesto. Suponho ter imensos sentimentos sobre isto, porque um excesso de séries me derreteu um coração que sempre foi um bocado empedernido. O que me apetece é enviar um postal ao Quino, implorando humildemente que faça uma piada com isto da SOPA. Pus "escrever uma carta ao meu autor favorito" nas 1001 coisas de um site qualquer - o Firefox lembra-se de tudo por mim, eu sou como um zombie que para aqui anda - que monitoriza as 1001 coisas em 1001 dias. Ou serão 101 coisas? Não importa, essa coisa anda a descontar-me dias desde 31 de Dezembro em que tive um sintoma de Bridget Jones, são fraquezas que nos dão quando estamos dois capítulos atrasadas na matéria de Mecânica de Fluídos, mas eu já resolvi que o relógio só começa quando eu acabar a época de exames, aí sim, depois da época de exames vou sair fabulosa por esses ares armada em maluca a fazer coisas a torto e direito...

O meu filme preferido dos últimos tempos foi o Up In The Air. É um gosto cimentado, razoável e racional; não foi que eu tivesse gostado imenso da fotografia ou... Enfim, não me tocou a sensibilidade. Vi-o aos solavancos e saltinhos num Domingo em vésperas de frequências. Gosto dele racionalmente, e muito, porque tem a mensagem mais importante* que cruzou o meu caminho nestes tais últimos tempos.
Termos pessoas de quem gostamos, termos com quem partilhar a vida e isto e aquilo, é o mais importante. E mesmo assim às vezes estamos sozinhos. Eu estou muitas vezes sozinha. As nossas epifanias são, tantas vezes quanto dita a probabilidade matemática, completamente inúteis e falham espectacularmente o seu percurso de enredo lógico.

*E daí não sei. Houve um momento no Phineas e Ferb em que a Candance está no cimo de uma torre com um gorila a dizer a seguinte coisa iluminada: "esta busca por uma perfeição inatingível e as minhas inseguranças distraíram-me daquilo que era verdadeiramente importante! - apanhar os meus irmãos". Como não tenho tempo ou paciência para tentar achar essa cena no YouTube, fiquem com isto em vez disso. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

É importante dizer, algum tempo depois da minha pequena saída avoada, que eu não perdi fé na escrita. Voltei a ganhá-la, se for preciso. Aquilo em que já não acredito, e o tempo de afastamento ainda me fez acreditar mais, é em ser lida.
Eu explicava isto tintim por tintim, mas de momento não me apetece.
O meu template é que é muito, muito giro. What a waste.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

Esta casa de espectáculos encerra. A gerente vai percorrer um caminho estreito e solitário em direcção à iluminação espiritual.

Porque eu estou farta fartinha enfastiada do exibicionismo e autismo cibernético. Vou entreter a minha obsessão com a aprovação estrangeira num sítio muito menos obnóxio para esses fins, o Tumblr, e vou ocupar-me a responder em vez de falar para o ar em outros sítios.

Quem tiver saudades minhas pode escrever-me para o meu e-mail, pode ser um "Olá" morgado, no assunto e no corpo da mensagem, não sou exigente nem pouco acessível.  

sexta-feira, 22 de abril de 2011

This Has Been Fringe Week, Bitches

Totalmente subaproveitada pelo meu fantástico mau humor e desorientação, que bate recordes históricos.
Ahem, a seguir segue-se um post com elevado teor de links para o tvtropes.

Hoje deu os dois episódios finais da primeira temporada nas maratonas de férias em horário de desocupados da 2 [isto é uma instituição; talvez a devesse escrever Maratonas de Férias em Horário de Desocupados do Canal 2, com um ® ou um ©]. Não sei se é da televisão, se é ausência de neuroses shipperianas, mas FUCK YEY!, a final da primeira temporada é fantástica. The Road Not Taken deve ser o meu episódio favorito.
Aliás, do fundinho do pedacinho da minha mente que ainda consegue fabricar anticorpos mentais contra esta série, eu gostava muito mais da primeira temporada. Tinha outro tema, tinha outro ambiente - que se perdeu pelo caminho. Tinha uma estética própria (o cabelo da Agente Dunham, o cabelo da Agente Dunham), episódios que pareciam efectivamente um buraco de uma hora no nosso horário e com um caminho que não podia ser resumido, e uma maneira meia adorável de nos fazer sentir estranhos ao programa, não excessivamente familiares (que deve ser a razão que quando se dá por ela é-se uma fangirl passada dos carretos).

Havendo juízo da minha parte, posso apontar que o Fringe falhou em quase todos os Jumping The Shark que quis fazer. Havendo muito juízo, posso dizer que o Fringe foi comido pelo maldito tubarão desde o momento em que pintaram o cabelo da Anna Torv (ver identidade estética acima):
  1. The Polivia thing. O acto de shipping é um buraco negro, e a energia tem que ser sugada de algum lado. Equilibrou-se bem na primeira temporada. E embora eu admita que o potencial para catástrofe apenas cresça com o tempo, neste tipo de shipping clássico, e que também não saiba como raio é que eles deviam ter conseguido contornar isto, a coisa está completamente descontrolada e comeu metade da terceira temporada. Eu não devia estar feliz, e com o tempo e alguma maturidade hei-de conseguir chegar a esse ponto.
  2. The "embracing the sci-fi" thing. Isto aparece em todas as "recomendações" dos media, e é mais treta que qualquer discurso recente do Sócrates. A parte da ficção científica deste programa anda a definhar à fome desde o Princípio de Exclusão de Pauli conheceu globos de neve. E na terceira temporada apenas tem servido como desculpas para fazer andar uma história a metro¹, sem a mais pequena consideração por nos estarem a enforcar a descrença. PORQUE A SÉRIO, NA PRIMEIRA TEMPORADA, UMA RAPARIGA GRÁVIDA, QUE ANDOU A CRUZAR UNIVERSOS DURANTE REFERIDA GRAVIDEZ (o que, sei lá, nas séries passadas foi posto como sendo genericamente mau para a saúde), COM UMA DOENÇA QUE PROVOCA A MORTE DURANTE O PARTO, CUJA GRAVIDEZ FOI ACELERADA COM TÉCNICAS EXPERIMENTAIS MARADAS, E QUE FOGE DAS PESSOAS QUE A ESTÃO A FAZER A REFERIDO INTERVENÇÃO MARADA, NÃO TERIA SIMPLESMENTE (muito simplesmente, diga-se, se aquilo foi uma relação de causa-efeito eu gostaria de uma intervenção daquelas para a minha futura hipotética gravidez) O PUTO E SE SENTARIA DALI A UMAS HORAS A ADMIRAR A CRIANÇA, FANTÁSTICA DA VIDINHA. [E não estou a defender que ela devia ter morrido; não, se os senhores escritores quiseram seguir com a via do bebé, que se amanhem com isso. Apenas estou a dizer que seria apenas razoável presumir que ela não estaria capaz de andar durante um mês ou dois.] Moral da história: na primeira série aconteciam coisas incríveis e pouco razoáveis, mas produziam mortes horríveis e não finais cor-de-rosa. Isto está a virar uma selva de crime sem castigo! (Matchpoint anyone?)
  3. The "seeing the other side as good people" thing. Era um objectivo venerável. Não era nada que nós, caros visualizadores do programa em questão, não conseguíssemos congeminar sozinhos, por quem nos tomais, ó produtores? Até os livros do Eragon falam disto (em grande detalhe, ou não conseguisse o livro ter uma razão descrição/história bastante aproximada à do Twilight). Portanto, nada contra, embora ache que se a culpa fosse claramente mais de um lado que de outro seria na verdade mais original (porque, mais uma vez, o cinzento já está mais que batido). O que acontece é que a tentativa é tão desajeitada que dói, e está a prejudicar seriamente a caracterização. Tentar humanizar a Altlivia foi tão declarado como desastrado, o que é sempre uma mistura palerma. A Altlivia, com a sua confiança e a sua boa vida, era uma personagem que entretinha e que era excelente para quebrar (eu juro que não sou sádica); traçar uma trajectória semelhante à da Olivia, enquanto a Olivia conseguia traçar a sua trajectória de volta, teria sido interessante. Quanto ao Walternate, todas as acções espontâneas dele foram típicas de um vilão, mas é suposto que uma totalmente out-of-the-blue, injustificada e incrivelmente inflexível recusa em fazer testes de drogas em crianças nos amoleça (no contexto, não faz, está bem?) . I'M NOT BUYING THIS SHIT.
  4. Charlie, eu não sei porque te foste e reconheço que a tua morte foi bastante inesperada (o que é bom, certo?), mas esta Fringe Division está completamente desequilibrada sem ti.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Perfeição em Massa

A culpa da minha obsessão com embalagens não é da minha tendência de acumular coisas. A culpa é da perfeição delas. Ontem, a minha mãe - que tem uma sinusite quase mundialmente célebre e é assim The Lord of the Tissues, porque à palavra lady falta carácter épico - deu-me um pacote de lenços que tem um esquilo com balões estampado. O cheiro a laranja eu ainda consigo suportar, mas que pessoas pérfidas, de mentes distorcidas, são estas que acham que eu me devo sentir feliz por me assoar a um desenho de um animal fofo? Porquê embonecar as coisas que são para pôr no lixo? Serei a única pessoa a achar que este tipo de comportamento, este destruir as coisas bonitas sem pena, tem traços de loucura?
Todas as coisas dispensáveis, descartáveis, produzidas em massa, são tão absolutamente perfeitas. Fui a uma fábrica de plásticos numa visita de estudo e as embalagens, aquelas embalagens que ignoramos todos os dias, são tão bem feitas, tão desprovidas de falhas. E as embalagens de cereais estão tão bem impressas. E os bonecos que eles fazem para nos vender as coisas são tão bem desenhados. Que não importa quão comum e vulgar tudo aquilo seja, eu não consigo ultrapassar a perfeição, não quando tudo o que eu faço é tão desajeitado, não quando tanta coisa que eu compro me falha.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O Buraco da Agulha

Por uma hora ficaram os dois sentados, sem falar, Apenas uma vez Baltasar se levantou para pôr alguma lenha na fogueira que esmorecia, e uma vez Blimunda espevitou o morrão da candeia que estava comendo a luz e então, sendo tanta a claridade, pôde Sete-Sóis dizer, Por que foi que perguntaste o meu nome, e Blimunda respondeu, Porque a minha mãe o quis saber e queria que eu o soubesse, Como sabes, se com ela não pudesete falar, Sei que sei, não sei como sei, não faças perguntas a que não posso responder, faze como fizeste, vieste e não perguntaste porquê, E agora, Se não tens onde viver melhor, fica aqui, Hei-de ir para Mafra, tenho lá família, Mulher, Pais e uma irmã, Fica, enquanto não fores, será sempre tempo de partires, Por que queres tu que eu fique, Porque é preciso, Não é razão que me convença, Se não quiseres ficar, vai-te embora, não te posso obrigar, Não tenho forças que me levem daqui, deitaste-me um encanto, Não deitei tal, não disse uma palavra, não te toquei, Olhaste-me por dentro, Juro que nunca te olharei por dentro, Juras que não o farás e já o fizeste, Não sabes de que estás a falar, não te olhei por dentro, Se eu ficar, onde durmo, Comigo.

Memorial do Convento, José Saramago

sábado, 8 de maio de 2010

«Gérard de Nerval, o romântico hipersensível e alucinado que viveu, como disse o seu amigo de sempre Théophile Gauthier, tão intensamente na fantasia que a realização dela nada lhe traria de novo (...)»
Isto está escrito na contracapa de um volume de umas colecções de contos obscuras (Ficções) e é das coisas mais bonitas que li recentemente.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Mais Divagações Natalícias (mas esta é a mais parva e a melhor)

Creio firmemente que, a haver no mundo forma de nos passarmos para uma dimensão paralela, esta será num centro comercial em plena época natalícia, com o frenesim histérico do consumismo, o ritmo das bancas de embrulho, os piscas-piscas por todo o lado, as multidões ansiosas, os blockbusters e adaptações de livros ao cinema, o acotevelamento geral, os carrinhos cheios e as filas de supermercados cheias, os engarrafamentos na área dos brinquedos, os abutres de volta dos camarões e bacalhau, tudo isso, a criar um campo de forças místicas que nos fizessem, pim!, num momento estávamos a admirar as pirâmides douradas de Ferrero Rocher, no outro tínhamos discretamente desaparecido nas barbas das câmaras de vigilância do hipermercado. E nós dávamos connosco no meio da Terra Média.
Portanto, lá fui eu ao centro comercial hoje à tarde, que estava pela primeira vez a fervilhar de actividade de forma decente, e só me apetecia bater em toda a gente porque estou assim um bocado para o hormonalmente desequilibrada, e moral da história: nem a ponta de uma orelha élfica ou um coelho a seguir até ao País das Maravilhas. Rien.